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Mosteiro de Santa Maria das Júnias (igreja e ruínas)

Categoria: Arquitetura religiosa > Mosteiro

Distrito: Vila Real > Montalegre > Pitões das Júnias

Localização

O Mosteiro de Santa Maria das Júnias situa-se num vale isolado e pitoresco, a cerca de dois quilómetros da aldeia de Pitões das Júnias, no concelho de Montalegre. Este local, inserido numa paisagem de montanha grandiosa e de difícil acesso, foi escolhido pela sua tranquilidade e afastamento do mundo, características que ainda hoje se fazem sentir. A envolvente natural, marcada pela ribeira que corre nas proximidades e pelos penedos circundantes, confere ao conjunto uma atmosfera de paz e de profunda ligação à natureza.

Uma História Profunda

A história deste mosteiro remonta a um antigo ermitério, fundado no século IX, cujos vestígios ainda são motivo de estudo. A sua implantação isolada reflete os ideais de uma comunidade inicial dedicada à pastorícia e a uma vida de ascetismo e humildade. A estrutura que hoje vislumbramos, um dos mais significativos exemplares do românico transmontano, começou a ser erguida na primeira metade do século XII, antes mesmo da fundação de Portugal, acolhendo monges da Ordem de São Bento. Mais tarde, em meados do século XIII, o mosteiro adotou a regra da Ordem de Cister, ganhando expressão e bens na região do Barroso e na Galiza.

Ao longo dos séculos, o Mosteiro de Santa Maria das Júnias foi palco de obras de ampliação e restauro, como a construção do claustro e a reformulação da capela-mor. No entanto, vicissitudes como cheias e um devastador incêndio no século XIX levaram grande parte das dependências conventuais à ruína. Apesar dos danos, a igreja manteve-se e o local foi classificado como Monumento Nacional em 1950, beneficiando desde então de intervenções de recuperação que ajudam a preservar a sua memória.

A Igreja: Coração e Arte Românica

Do que resta do Mosteiro, a igreja é a estrutura mais bem conservada, apresentando uma nave única e uma capela-mor retangular. A sua fachada principal, de estilo românico, exibe um belo portal com arco de volta perfeita. Este portal destaca-se pela sua ornamentação singular: uma arquivolta exterior adornada com lancetas e um friso com motivos geométricos. O tímpano, por sua vez, apresenta um lintel com flores estilizadas e, acima, uma Cruz de Malta vazada, ladeada por perfurações circulares dispostas em triângulo, sugerindo um simbolismo de "céu estrelado" que talvez servisse de guia aos peregrinos que por aqui passavam.

No interior da igreja, observam-se frisos ornamentados que percorrem as paredes da nave. O arco triunfal, com as suas duas arquivoltas, é ladeado por retábulos em talha, enquanto na capela-mor se encontra um retábulo-mor de elaborada composição. Numa janela lateral da capela-mor, virada a norte, surge uma curiosa estátua jacente de um monge, que a tradição popular interpreta como a marca do nível máximo atingido pelas cheias da ribeira ao longo dos séculos.

Vestígios Conventuais e a Vida Monástica

As ruínas das dependências conventuais estendem-se para sul da igreja, revelando o que outrora foi um complexo monástico vibrante. Embora grande parte esteja desmoronada, ainda se podem vislumbrar as fundações do dormitório dos monges e a área da cozinha, com a sua notável chaminé piramidal, que se mantém como um dos elementos mais icónicos das ruínas. Parte do antigo claustro românico também sobrevive, com três dos seus arcos e respetivos capitéis ainda visíveis, revelando pormenores de decoração fitomórfica.

Ao entrar no espaço monástico, por cima da porta, é possível observar uma pedra rectangular com o símbolo da Abadia de Oseira (dois ursos ladeando uma árvore), assinalando a ligação histórica do mosteiro galego. Nas dependências anexas à cozinha, encontra-se um antigo sarcófago que foi engenhosa e funcionalmente reaproveitado para recolha de águas, um testemunho da capacidade de adaptação e da humildade da vida monástica. O conjunto transmite uma poderosa sensação de história e a importância da vida em comunidade que aqui floresceu ao longo dos tempo. Este local é também palco de uma romaria anual a 15 de agosto, que continua a atrair gentes de Pitões e das aldeias vizinhas, mantendo viva a ligação espiritual com o mosteiro.

Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.pt

Coordenadas DD: 41.831152,-7.942537
Coordenadas DMS: 41°49'52.1"N 07°56'33.1"W

Meteorologia Pitões das Júnias Meteorologia Pitões das Júnias

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Nuvens dispersas
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Algumas nuvens
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