Categoria: Arquitetura religiosa > Mosteiro
Distrito: Coimbra > Penacova > Lorvão
O Mosteiro de Lorvão encontra-se na localidade de Lorvão, integrada no concelho de Penacova. Situa-se num vale encaixado, rodeado por uma paisagem natural exuberante e serrana. O imponente edifício destaca-se na área urbana de Lorvão, dominando o largo principal da vila e ficando próximo de uma pequena ribeira, com casas aninhadas na encosta em frente.
A história do Mosteiro de Lorvão remonta a tempos muito antigos, havendo menções que apontam para uma fundação possível no século VI. No entanto, são os documentos escritos posteriores à reconquista cristã, a partir do ano 878, que atestam a existência de uma comunidade religiosa no local. Inicialmente masculino e seguindo a Regra Beneditina, o mosteiro desempenhou um papel relevante no desenvolvimento agrícola e no repovoamento da região. Tornou-se um centro de saber e de produção de manuscritos iluminados no século XII, com obras notáveis como o Livro das Aves e o Apocalipse de Lorvão.
Uma transformação significativa ocorreu em 1206, quando o mosteiro passou a pertencer à Ordem de Cister e se tornou uma comunidade feminina, dedicada a Santa Maria. Esta mudança foi impulsionada pela Infanta D. Teresa, filha do Rei D. Sancho I, que se recolheu em Lorvão após a anulação do seu casamento. A sua irmã, D. Sancha, também viveu aqui. O mosteiro acolheu monjas da alta nobreza e atingiu períodos de grande prosperidade ao longo dos séculos, especialmente sob o governo de abadessas influentes.
O aspeto que hoje contemplamos no Mosteiro de Lorvão resulta, em grande parte, das vastas campanhas de obras realizadas durante os séculos XVII e XVIII. A igreja, em particular, foi reconstruída nesta época, apresentando um estilo barroco que revela influências da Basílica de Mafra, com uma notável monumentalidade. O conjunto arquitetónico inclui, para além da igreja, claustros e antigas dependências como dormitórios e a portaria, que data de 1630.
Apesar das sucessivas remodelações, é ainda possível encontrar vestígios de épocas anteriores. Na torre da igreja, está incrustada uma pedra de mármore com ornato visigodo, sugerindo a antiguidade do local. Nas capelas do claustro, sobrevivem ainda capitéis esculpidos em estilo românico, testemunhos da construção medieval que antecedeu as formas barrocas dominantes.
O interior da igreja surpreende pela riqueza artística, reflexo da importância e prosperidade que o mosteiro feminino alcançou. Na capela-mor, encontram-se as urnas funerárias em prata que guardam as relíquias das Infantas D. Teresa e D. Sancha, obras valiosas do ourives Manuel Carneiro da Silva, datadas de 1715. Sob o zimbório que cobre o cruzeiro da igreja, destacam-se grandes telas pintadas por Pascoal Parente.
A separação entre a nave da igreja e a zona do coro, onde se sentavam as monjas, é feita por uma notável grade de ferro forjado enriquecida com aplicações em bronze dourado, considerada um dos mais belos exemplos de rococó em Portugal. Num dos altares do coro, pode-se admirar a imagem de Nossa Senhora da Vida, uma peça de devoção com origem no século XIV.
Um dos elementos mais impressionantes do Mosteiro de Lorvão é, sem dúvida, o cadeiral do coro baixo. Realizado entre 1742 e 1747, esta obra-prima da talha portuguesa foi executada em madeiras nobres como o jacarandá do Brasil e a nogueira. É reconhecido pela delicadeza dos seus ornatos e pela expressividade das figuras de santos mártires esculpidas nos espaldares das cadeiras. As máscaras originais na parte inferior dos assentos acrescentam um toque de fantasia a este conjunto, que é considerado um dos mais espetaculares e tecnicamente magistrais do país.
No coro, por cima da grade que o separa da igreja, ergue-se um órgão de tubos de grande dimensão. Construído por António Xavier Machado Cerveira em 1795, este instrumento musical é notável pela sua singularidade: possui duas fachadas opostas, tornando-o único em Portugal. Apresenta uma estética neoclássica, sóbria e elegante, e conta com um total de 61 registos, conferindo-lhe uma sonoridade particular que ecoa pela grandiosidade do espaço monástico.
O claustro é um pátio interior de ambiente tranquilo e harmonioso. A sua construção, nos primeiros anos do século XVII, seguiu o estilo classicista característico da região de Coimbra. É um espaço de dois pisos com arcadas suportadas por colunas e inclui diversas capelas que serviam para devoção privada das monjas. No centro, uma quadra ajardinada convida à serenidade, com um chafariz. No piso térreo, a Sala do Capítulo destaca-se pelo revestimento das suas paredes com silhares de azulejos de padrão polícromos, datados do período maneirista.
Ao longo da sua longa existência, o Mosteiro de Lorvão acumulou um vasto e valioso património artístico e documental. No entanto, após a extinção das ordens religiosas no século XIX, grande parte deste espólio foi disperso. Peças importantes, como mobiliário, ourivesaria, e esculturas, encontram-se atualmente expostas em diferentes museus nacionais, nomeadamente no Museu Nacional de Machado de Castro, em Coimbra. Documentos históricos de grande relevância, como pergaminhos e missais, incluindo o célebre Apocalipse de Lorvão, estão guardados na Torre do Tombo e na Biblioteca da Universidade de Coimbra.
Fontes: https://pt.wikipedia.org/wiki/Mosteiro_de_Lorvão
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.pt
Coordenadas DD: 40.25959664553119,-8.317456442281737
Coordenadas DMS: 40°15'34.5"N 08°19'2.8"W