Categoria: Cultura e Entretenimento > Museu
Distrito: Aveiro > Albergaria-a-Velha > Taco > Zona Industrial de Albergaria-a-Velha
Situado na localidade de Taco, no concelho de Albergaria-a-Velha, este local encontra-se inserido numa envolvente particular. As Mamoas do Taco surgem no cenário de uma zona industrial, criando um contraste notável entre a atividade moderna e a antiguidade destas construções.
Esta localização sublinha a sua singularidade em Portugal, onde monumentos megalíticos com milhares de anos coexistem lado a lado com as instalações fabris, convidando a uma reflexão sobre a passagem do tempo.
As Mamoas do Taco representam importantes vestígios do período Neolítico, datando de aproximadamente 6000 anos. São antigas sepulturas coletivas, originalmente formadas por câmaras de pedra que eram posteriormente cobertas por terra, criando os montículos que hoje se observam.
Estes monumentos serviram como locais de enterramento para as comunidades de então, guardando os rituais e as crenças dos nossos antepassados mais remotos e oferecendo um vislumbre sobre as suas práticas funerárias e sociais.
Entre as estruturas que compõem o conjunto, a Mamoa 1 destaca-se como um exemplar notável da arquitetura funerária pré-histórica do Centro-Norte de Portugal. As intervenções arqueológicas permitiram desvendar os seus segredos, revelando uma câmara simples onde se pensa que repousaram figuras importantes da comunidade.
No interior, foram descobertos vestígios de oferendas, como machados de pedra polida e objetos de sílex, que dão pistas sobre os rituais ali praticados. Um achado particular foi uma mó manual, possivelmente utilizada para triturar um corante vermelho, talvez para rituais ou pinturas que adornariam os esteios (pedras verticais).
O aspeto mais distintivo da Mamoa 1 são as gravuras que ornamentam a câmara funerária. Neste espaço, que seria escuro e acessível a poucos, a luz de tochas revelaria uma composição de arcos concêntricos gravados numa das pedras, através de um cuidado trabalho de picotagem, criando um efeito visual fascinante. Outras gravuras, mais discretas, também podem ser observadas noutras superfícies.
Estes desenhos ligam as Mamoas do Taco a uma corrente de Arte Atlântica, presente desde o noroeste da Península Ibérica até às Ilhas Britânicas, com paralelos em locais como o monumento megalítico de Gavrinis, na Bretanha, e em dólmenes irlandeses.
A Mamoa 3 oferece uma perspetiva diferente, sendo considerada um dos sepulcros mais enigmáticos da pré-história da região. Os estudos arqueológicos recentes permitiram uma nova interpretação do monumento, sugerindo uma história em duas fases distintas.
Inicialmente, no Neolítico Final, construiu-se uma câmara funerária coberta por um grande montículo. Contudo, cerca de dois milénios mais tarde, durante o Calcolítico ou no início da Idade do Bronze, esta câmara foi alterada por novas comunidades que introduziram diferentes rituais funerários, construindo um pequeno muro no espaço central onde a câmara existira. Embora não se tenham identificado ossos humanos, pensa-se que os corpos eram depositados em fossas abertas neste recinto.
Coordenadas DD: 40.7070726,-8.4952496
Coordenadas DMS: 40°42'25.5"N 08°29'42.9"W