Categoria: Arquitetura militar > Castelo
Distrito: Portalegre > Portalegre > Alegrete > Vila
O Castelo do Alegrete eleva-se no topo de um cabeço rochoso, a mais de quinhentos metros de altitude, na vila de Alegrete, concelho de Portalegre. Esta posição dominante oferece uma ampla e deslumbrante perspetiva sobre a paisagem envolvente do Alto Alentejo, em particular sobre os vastos campos de oliveiras e a Ribeira de São Pedro. A sua presença marcante na linha do horizonte torna-o um miradouro natural sobre uma vasta paisagem alentejana, convidando a momentos de contemplação.
A fortaleza encontra-se intrinsecamente ligada à povoação primitiva da vila, cujas muralhas góticas, ainda visíveis em alguns trechos como a Porta da Vila, partem do castelo e abraçam o aglomerado urbano. Esta integração confere ao local um ambiente onde a história da defesa do território se funde com a vivência da comunidade.
A história do Castelo do Alegrete remonta a épocas ancestrais, com indícios de ocupação humana no local desde os tempos dos Lusitanos, Romanos e, posteriormente, mouros. A sua ligação à Coroa Portuguesa solidificou-se no século XIII, após a Convenção de Badajoz, sob o reinado de D. Afonso III. Foi um período de importantes obras de reforço, que continuaram no tempo de D. Dinis, quando a vila recebeu o seu Foral.
Ao longo dos séculos, o castelo desempenhou um papel vital na defesa da fronteira, testemunhando momentos cruciais da história portuguesa. Foi palco e refúgio em diversas batalhas, desde o apoio ao Mestre de Avis na crise de 1383-1385, com a presença de D. Nuno Álvares Pereira, até à Guerra da Restauração. Destaca-se a tradição de 1662, quando o governador da praça, La Coste, ofereceu vinho ao inimigo espanhol de D. João de Áustria, num gesto de galanteria que, segundo se conta, levou ao levantamento do cerco, demonstrando a resiliência e o espírito da guarnição.
O Castelo do Alegrete é um exemplar da arquitetura militar gótica, apresentando uma planta retangular irregular. As suas robustas muralhas, construídas com uma variedade de pedras locais, incluindo quartzito e xisto, ainda hoje contam a história das técnicas defensivas medievais. A Porta do Sol, ou Porta da Traição, a nascente, e a Porta da Vila, a norte, são pontos de interesse que revelam a complexidade das suas defesas.
No interior do perímetro muralhado, destaca-se a Torre de Menagem, de planta retangular e dois pisos, que incluía uma cisterna essencial para a subsistência durante os cercos. O adarve, o caminho de ronda que permitia a vigilância e defesa, com acesso por escadas de pedra, oferece uma perspetiva privilegiada sobre o pátio interior e a paisagem além-muros. As intervenções de consolidação e restauro ao longo das últimas décadas têm procurado preservar estas características, permitindo uma melhor compreensão da sua configuração original.
Coordenadas DD: 39.236986316667, -7.3242208666667
Coordenadas DMS: 39°14'13.2"N 07°19'27.2"W