Categoria: Arquitetura civil > Torre
Distrito: Beja > Mértola > Mértola > Além-Rio
A Torre do Rio encontra-se na margem direita do rio Guadiana, na urbanização Além-Rio, em Mértola. Situada fora das muralhas da parte mais antiga da vila, junto à antiga Porta da Ribeira, oferece uma vista direta para o caudal do rio. A sua localização é uma oportunidade para apreciar a paisagem natural envolvente do Parque Natural do Vale do Guadiana, um cenário que realça a história e a importância estratégica deste local outrora movimentado.
Para quem visita, é importante saber que o acesso ao monumento é feito por um caminho mais pedestre. Embora seja um local de fácil aproximação, algumas secções do terreno podem apresentar irregularidades, nomeadamente na base da estrutura, devido a afloramentos rochosos.
Classificada como Monumento Nacional, a Torre do Rio tem sido objeto de várias interpretações ao longo da história. Durante muito tempo, pensou-se ser parte de uma ponte ou um sistema para a captação de água do rio. No entanto, as investigações mais recentes sugerem que a sua função principal estava ligada à defesa e ao controlo portuário de Mértola.
Acredita-se que esta estrutura seria uma extensão da muralha da vila até ao rio, garantindo um acesso vital à água em tempos de necessidade. Adicionalmente, teria um papel crucial na vigilância e defesa do porto fluvial, podendo inclusivamente ter servido para estender uma corrente entre as margens do rio, impedindo assim o acesso a embarcações inimigas à zona norte. No topo da sua extremidade, junto ao Guadiana, existiu talvez uma grua de madeira, facilitando as operações de carga e descarga.
A construção da Torre do Rio remonta, com alguma incerteza, aos séculos III a V depois de Cristo. A estrutura estende-se por cerca de cinquenta metros, revelando vestígios de arcos e sete pilares robustos. É notável a forma como os pilares, na parte virada a montante do rio Guadiana, possuem quebra-mares. Esta característica engenharia revela uma adaptação inteligente à força das cheias do rio, permitindo que a estrutura resistisse ao longo dos séculos.
Os materiais usados na sua edificação são um testemunho da época: reutilizaram-se elementos arquitetónicos romanos, como lintéis e fustes de calcário, mármore e granito, misturados com a pedra local, o xisto. A argamassa que une estes elementos destaca-se pela sua excelente qualidade, tendo resistido notavelmente bem à erosão do tempo e às grandes inundações do Guadiana, superando, em durabilidade, muitas das pedras originais da construção.
Coordenadas DD: 37.63570937472983, -7.664007114633247
Coordenadas DMS: 37°38'8.6"N 07°39'50.4"W