Categoria: Arquitetura civil > Paço
Distrito: Lisboa > Cascais > Cascais
Ergue-se na Praça 5 de Outubro, em Cascais, com a fachada voltada para a baía. A envolvente é uma praça ampla com pavimento de calçada portuguesa em padrão de ondas, que cria um enquadramento muito fotogénico diante do edifício.
O imóvel marca o centro cívico da vila e é facilmente reconhecido pela sucessão de janelas simétricas e pelas varandas com bandeiras. A proximidade ao mar confere luz intensa às superfícies de azulejo e um ambiente muito característico.
O palácio tem raiz no final do século dezoito, quando servia de residência senhorial. Foi associado a D. Inês Margarida da Cunha e, já no século dezanove, ficou conhecido como casa dos Condes da Guarda. Ao longo do século vinte recebeu várias ampliações e adaptações que consolidaram a sua função pública.
Desde 2006 encontra-se classificado como Imóvel de Interesse Municipal. Hoje é a sede do município e acolhe, no piso térreo, o Museu da Vila, integrando assim a vertente administrativa e a memória histórica local num mesmo conjunto.
De dois pisos e composição horizontal, apresenta no rés do chão um revestimento de pedra bem aparelhada com vãos regulares e um portal central de cantos arredondados. No andar nobre sobressai o revestimento azulejar que alterna com as janelas e percorre toda a fachada, criando um ritmo visual muito próprio.
Os painéis de finais do século dezoito representam figuras de santos, uma escolha rara na arquitetura civil portuguesa. A tradição aponta a Real Fábrica de Louça do Rato como origem de parte destas peças, associadas a mestres como Francisco de Paula e Oliveira e Jorge da Costa. No interior sobrevivem a escadaria com lambril azulejar, a figura de convite de um alabardeiro e um pátio de entrada abobadado.
Ao longo do tempo o edifício acolheu diferentes ocupações. Durante as Guerras Napoleónicas terá hospedado o almirante britânico Charles Cotton. Já no século vinte funcionaram aqui espaços comerciais, uma estação de correios e mesmo um casino, espelhando períodos de grande animação na vila.
Intervenções posteriores atualizaram as funções sem perder o caráter histórico. Em meados do século passado foram introduzidos novos painéis cerâmicos em salas nobres e, em 2015, o piso térreo foi reorganizado para receber o Museu da Vila, reforçando a ligação entre o património edificado e a história de Cascais.
Observado de frente, o edifício revela uma composição rigorosa com pilastras, cunhais de cantaria e varandas de ferro forjado com floreiras. As telhas de canudo e o beirado rematam a cobertura, enquanto o conjunto de azulejos confere cor e detalhe à pedra clara do rés do chão.
A praça realça o cenário. O desenho ondulante da calçada ecoa o movimento do mar e conduz naturalmente o olhar para a fachada azulejada. É um ponto privilegiado para captar a relação entre arquitetura, cerâmica e luz atlântica que caracteriza o coração de Cascais.
Coordenadas DD: 38.69684903491927,-9.420590601830703
Coordenadas DMS: 38°41'48.7"N 09°25'14.1"W