Categoria: Arquitetura civil > Chafariz
Distrito: Lisboa > Amadora > Amadora > Buraca
O Chafariz da Buraca encontra-se na localidade da Amadora, na zona da Buraca, integrada num contexto urbano dinâmico. Está estrategicamente posicionado junto a um troço do histórico Aqueduto das Águas Livres, um feito notável da engenharia do século XVIII. O local, outrora conhecido como Calhariz, situa-se numa plataforma ligeiramente rebaixada em relação à Rua da Buraca, estando delimitado por um passeio de calçada à portuguesa.
Embora ladeado por vias de tráfego, este recanto mantém uma atmosfera própria, enriquecida pela proximidade de uma imponente casa de águas anexa ao aqueduto e por um pequeno jardim que antecede o conjunto. A presença do aqueduto, aqui rasgado por arcos que cruzam a estrada, sublinha a sua ligação a uma rede de abastecimento que se estendia por várias freguesias.
Datado de 1771, o Chafariz da Buraca nasceu da necessidade de distribuir água à crescente população de Lisboa e seus arredores, funcionando como um ponto crucial na rede do Aqueduto das Águas Livres. A sua construção foi autorizada pela Junta das Águas Livres, sob a égide do Marquês de Pombal, e a obra foi rapidamente concluída no ano seguinte, em 1772. O projeto foi da autoria de Reinaldo Manuel dos Santos, o então segundo arquiteto da Junta.
Este chafariz representa um testemunho do avançado planeamento urbano e da engenharia hidráulica do século XVIII, revelando a preocupação com o abastecimento público de água numa época de grande desenvolvimento. A sua função hidráulica original prolongou-se por décadas, com registos de que os "sobejos" da água foram, posteriormente, concedidos a uma quinta local.
Concebido em cantaria de calcário lioz, o Chafariz da Buraca exibe características da arquitetura tardo-barroca. O seu espaldar, de forma retilínea e mais largo na base, é flanqueado por pilastras toscanas, que sustentam um friso e uma cornija com curvas inspiradas na escola borromínica. Ao centro, uma almofada e uma cartela, ambas recortadas, ostentam com destaque as armas reais de D. José I, encimadas por uma coroa e ladeadas por elementos decorativos concheados e volutados.
A água brotava de uma bica simples de cantaria, vertendo para um pequeno tanque retangular. Em frente a este, encontra-se um tanque maior, de profundidade mínima, que outrora criava um efeito de espelho de água. O acesso aos tanques é feito por um degrau em cantaria, evidenciando a sua funcionalidade original. Todo o conjunto, incluindo o muro e o pavimento, é maioritariamente construído com blocos de cantaria, conferindo-lhe durabilidade e uma presença sólida no espaço urbano.
O Chafariz da Buraca é um imóvel de grande valor patrimonial, classificado como Monumento Nacional desde 2002. Esta classificação reconhece a sua importância não só como peça arquitetónica singular, mas também como parte integrante do vasto sistema do Aqueduto das Águas Livres, que é, por si, um ex-líbris da engenharia portuguesa.
Atualmente, o chafariz, embora sem a sua função original de distribuição de água, persiste como um marco histórico-cultural na paisagem da Buraca. A sua presença convida a uma pausa e à reflexão sobre o passado e a forma como a cidade e as suas infraestruturas se foram desenvolvendo ao longo dos séculos.
Coordenadas DD: 38.74235236, -9.20322996
Coordenadas DMS: 38°44'32.5"N 09°12'11.6"W