Categoria: Arquitetura civil > Solar / Mansão senhorial
Distrito: Lisboa > Lisboa > Lisboa > Misericórdia
O Palacete Anjos encontra-se no vibrante bairro do Príncipe Real, na freguesia da Misericórdia, um dos pontos mais distintos e charmosos de Lisboa. A sua posição é notável, com a fachada principal virada para a emblemática Praça do Príncipe Real, um espaço público ajardinado que confere um ambiente sereno e cosmopolita. Na parte traseira, o palacete comunica com o verdejante Jardim Botânico da Universidade de Lisboa, criando uma ligação harmoniosa entre o urbano e o natural.
Integrado no conjunto arquitetónico oitocentista da Praça do Príncipe Real, este edifício usufrui de uma localização em terreno ligeiramente inclinado, que historicamente tem permitido vistas privilegiadas sobre a cidade e até sobre o rio Tejo, dependendo do ponto de observação dentro da propriedade.
Este palacete, construído em finais do século XIX, é um notável exemplar da arquitetura neoclássica lisboeta, caracterizando-se pela sua planta retangular e pela imponência dos seus dois pisos principais, coroados por uma mansarda. A sua fachada principal, que se divide em três corpos distintos, exibe uma linguagem clássica e uma sobriedade decorativa que resultam num conjunto de linhas harmoniosas e austeras.
Um dos elementos mais marcantes é a varanda corrida em pedra no andar nobre, guarnecida por um elaborado gradeamento de ferro forjado, que se estende ao longo do corpo central. A utilização de cantaria no revestimento do piso térreo e as pilastras que flanqueiam os vãos contribuem para a grandiosidade e solidez do edifício, refletindo uma tradição da arquitetura privada da capital.
A história do Palacete Anjos remonta a meados do século XVIII, mas foi em 1874 que o capitalista Policarpo José Lopes dos Anjos o adquiriu, encomendando uma reconstrução total ao arquiteto italiano Giuseppe Luigi Cinatti. Esta intervenção deu origem ao edifício que hoje conhecemos, símbolo da ascensão burguesa e do génio comercial da época.
Ao longo das décadas, o palacete foi morada de várias famílias aristocráticas e palco de momentos históricos, como o período entre 1912 e 1917, quando serviu como Legação dos Estados Unidos durante a Primeira Guerra Mundial. Mais tarde, foi adquirido pelo Banco de Portugal, que o adaptou para os seus serviços. Estas transformações, nomeadamente as ocorridas durante a sua posse pelo Banco de Portugal, alteraram significativamente a disposição e os interiores originais do palacete, embora a sua imponente presença exterior tenha sido preservada.
O Palacete Anjos é reconhecido pelo seu valor patrimonial, estando incluído em várias zonas de proteção, como as do Aqueduto das Águas Livres e do Jardim Botânico. Atualmente, o edifício está a ser objeto de um projeto de reabilitação assinado pelo conceituado arquiteto Eduardo Souto de Moura. Este projeto ambicioso visa dar uma nova vida ao palacete, transformando-o num espaço multifuncional que combina a sua identidade histórica com inovações arquitetónicas contemporâneas.
A intervenção procura revitalizar o edifício, preservando a sua traça original e grandeur enquanto o adapta a novas utilizações, tornando-o um exemplo de como a história e a modernidade podem coexistir num dos bairros mais cobiçados de Lisboa. A visão do projeto é revelar novamente a sua beleza intemporal e o seu valor arquitetónico, permitindo que a sua história continue a ser contada.
Coordenadas DD: 38.7171742, -9.14905992
Coordenadas DMS: 38°43'1.8"N 09°08'56.6"W