Categoria: Arquitetura civil > Palácio
Distrito: Lisboa > Loures > Santo Antão e São Julião do Tojal > Quinta do Aqueduto
O Palácio dos Arcebispos, também conhecido como Palácio da Mitra, situa-se na freguesia de Santo Antão e São Julião do Tojal, no concelho de Loures. Insere-se na zona da Quinta do Aqueduto, numa área que combina o ambiente urbano do aglomerado de Santo Antão do Tojal com os seus aspetos rurais circundantes. O complexo palaciano, com a igreja e o palácio-fonte, define uma praça monumental, um exemplo raro de planeamento barroco em Portugal, que estrutura parte da localidade.
Este imponente palácio teve as suas raízes numa antiga quinta rural, adquirida no final do século XIII por D. Domingos Anes Jardo, então bispo de Lisboa. Ao longo dos séculos, o local evoluiu, com uma edificação primitiva do século XIII a dar lugar a um novo palácio por volta de 1554, por iniciativa do arcebispo D. Fernando de Vasconcelos. Contudo, a sua forma atual, grandiosa e barroca, deve-se à reconstrução empreendida no século XVIII pelo primeiro Patriarca de Lisboa, D. Tomás de Almeida. O projeto contou com a mestria do arquiteto italiano Canevari, responsável por dar ao palácio a sua traça elegante. Este local serviu como residência de veraneio para arcebispos e, mais tarde, para patriarcas de Lisboa, sendo inclusivamente palco de visitas da realeza portuguesa, como D. João V. No século XX, em 1915, registou um momento notável quando acolheu uma reunião de deputados da Assembleia da República, impedidos de aceder ao Palácio de São Bento.
A arquitetura do Palácio dos Arcebispos revela uma planta em forma de U, destacando-se uma fachada de inspiração italiana. Esta fachada é adornada com três estátuas de mármore de Carrara, representando São Bruno de Colónia, a Rainha Santa Isabel e a Imaculada Conceição. No interior, a arte do azulejo setecentista português é um dos pontos mais cativantes. Os painéis de azulejos azuis e brancos, de grande qualidade e riqueza temática, ilustram cenas variadas, desde as estações do ano e paisagens campestres ou de caça e pesca, até figuras mitológicas. A escadaria principal é embelezada por notáveis "figuras de convite", retratando porteiros e alabardeiros em trajes sumptuosos do século XVIII, criando um efeito de trompe l'oeil. A Sala das Bênçãos, em particular, exibe um trabalho requintado em mármores de diversas tonalidades e um teto em caixotão de madeira com talha policromada, refletindo o gosto da época de D. João V.
Para além do palácio, a propriedade é complementada por um notável conjunto de elementos aquáticos e paisagísticos, todos datados do século XVIII. O aqueduto, com cerca de dois quilómetros, era essencial para abastecer os chafarizes do complexo, alguns dos quais são verdadeiras obras de arte, como o monumental chafariz inserido no Palácio-Fonte. Este edifício, de dois andares, apresenta uma fonte central antecedida por uma escadaria de sete degraus que se abre em leque, e é considerado um dos mais elegantes de Portugal. Existe também um chafariz menor, conhecido como Chafariz dos Arcos, que se distingue por um baixo-relevo em pedra alusivo às almas do Purgatório e uma inscrição peculiar. Os jardins, que outrora funcionavam como uma quinta agrícola para os bispos, foram transformados, apresentando atualmente alamedas e tanques. Dois pombais circulares, artisticamente revestidos com azulejos policromados, e bancos decorados com painéis de azulejos, como o que representa a Primavera, adicionam beleza e encanto a este património.
Coordenadas DD: 38.85152494, -9.140337085
Coordenadas DMS: 38°51'5.5"N 09°08'25.2"W