Categoria: Arquitetura civil > Palácio
Distrito: Lisboa > Lisboa > Lisboa > Belém
O Palácio dos Condes da Calheta situa-se em Belém, uma zona de Lisboa conhecida pela sua rica herança histórica. Integrado na malha urbana local, o palácio faz parte de um conjunto patrimonial mais vasto, atualmente sob a alçada da Universidade de Lisboa.
A sua posição oferece uma perspetiva sobre a evolução paisagística de Belém, onde outrora se erguia como casa de veraneio. A fachada sul, voltada para os terrenos que hoje compõem o Jardim Botânico Tropical, revela uma harmonia com a envolvente natural, sublinhando o seu propósito original de lazer e retiro.
Erguido em meados do século XVII por D. João Gonçalves da Câmara, o quarto Conde da Calheta, este palácio foi concebido como uma elegante residência de verão. A sua estrutura sóbria, característica da arquitetura dos séculos XVII e XVIII, reflete o gosto da época.
Em 1726, o Palácio dos Condes da Calheta foi adquirido por D. João V. Esta aquisição marcou o início de um período de profundas alterações e adaptações, que moldaram o edifício ao longo dos séculos e às diferentes funções que viria a desempenhar. A sua classificação como Monumento Nacional em 2007 atesta a sua relevância no panorama histórico-arquitetónico português.
O Palácio dos Condes da Calheta foi testemunha de episódios marcantes da história de Portugal. Após o terramoto de 1755, o edifício acolheu as Secretarias de Estado, desempenhando um papel central na administração do reino e sendo conhecido, na altura, como Palácio das Secretarias de Estado.
Em 1758, este palácio foi o cenário dos interrogatórios de figuras implicadas no atentado contra D. José I, um acontecimento crucial que antecedeu o trágico Processo dos Távoras. Mais tarde, no século XIX, a residência serviu para alojar ilustres convidados estrangeiros, reforçando o seu estatuto como espaço de importância diplomática e social.
A arquitetura do palácio é um exemplo da sobriedade elegante dos séculos XVII e XVIII. Desenvolve-se em dois pisos, com corpos de volumes e alturas ligeiramente irregulares, conferindo-lhe um carácter distintivo. A sua fachada sul, em particular, apresenta um corpo extremo que assenta sobre a Calçada do Galvão, seguido por um corpo mais recuado, adornado com uma varanda contínua de ferro no primeiro andar, à frente de cinco janelas.
No interior, o palácio revela uma riqueza artística notável, especialmente através dos seus profusos painéis de azulejos dos séculos XVII e XVIII. Estas composições decorativas retratam diversas cenas, desde representações de caça e momentos campestres, até paisagens marítimas e eventos militares, oferecendo um vislumbre da vida e dos interesses da época.
Atualmente, o Palácio dos Condes da Calheta está intimamente ligado ao património da Universidade de Lisboa. Embora no século XX tenha albergado o Museu Agrícola Colonial e, por um período, o Pavilhão da Caça e do Turismo durante a Exposição do Mundo Português, a sua função evoluiu para um centro de saber e investigação.
O edifício acolhe agora coleções de valor científico e cultural, como a Xiloteca, uma notável coleção de amostras de madeiras, localizada no primeiro andar. O piso térreo funciona como Centro de Documentação e Informação do Instituto de Investigação Científica Tropical, onde se encontram também reservas etnográficas, contribuindo para a preservação e estudo de importantes acervos.
Coordenadas DD: 38.70129983125, -9.20223353125
Coordenadas DMS: 38°42'4.7"N 09°12'8.0"W