Categoria: Arquitetura civil > Palácio
Distrito: Lisboa > Lisboa > Lisboa > Misericórdia
O Palácio Quintela ergue-se na freguesia da Misericórdia, em Lisboa, numa zona urbana de grande relevância histórica. Delimitado pela Rua do Alecrim a ocidente e pela Rua António Maria Cardoso a oriente, o palácio destaca-se no seu ambiente. A sua imponente fachada principal volta-se para o Largo do Barão de Quintela, um espaço que foi especificamente criado no final do século XVIII para conferir maior dignidade e destaque arquitetónico ao edifício, influenciando assim o traçado da malha urbana envolvente.
Este palácio aristocrático foi erguido no final do século XVIII por iniciativa da influente família dos Barões de Quintela, para servir como sua residência. Antes da sua construção, este local já era palco de casas nobres, incluindo as dos Condes de Vimioso, que foram sucessivamente destruídas por um violento incêndio em 1726 e pelo devastador Terramoto de 1755. A decisão de construir o Palácio Quintela sobre estas ruínas marca um ponto de viragem na ocupação deste espaço histórico.
Ao longo dos anos, o palácio foi palco de importantes acontecimentos. Em 1807, durante a primeira invasão francesa de Portugal, o General Jean-Andoche Junot escolheu-o como seu Quartel-General e residência oficial, um facto que sublinha a sua importância e distinção no panorama arquitetónico de Lisboa da época. Foi também cenário de notórias festas e bailes, organizados pelo 2.º Barão de Quintela, Joaquim Pedro Quintela Filho, que se tornaram célebres na sociedade lisboeta do século XIX.
O Palácio Quintela apresenta um estilo arquitetónico eclético, mesclando elementos neoclássicos com traços neobarrocos, algo característico das construções nobres setecentistas. As suas fachadas, embora sóbrias e marcadas pela horizontalidade, exibem uma notável regularidade na disposição das janelas. Na fachada principal, o corpo central salienta-se, rematado por um frontão triangular que exibe um óculo circular, flanqueado por urnas e fogaréus, e um portal de arco perfeito que enriquece a entrada.
Os interiores do palácio são um verdadeiro tesouro artístico, resultado de uma profunda campanha decorativa levada a cabo na década de 1820. Nesta empreitada, participaram artistas de renome como o cenógrafo Giuseppe Cinatti e os pintores António Manuel da Fonseca e Cirilo Volkmar Machado, juntamente com o estucador Félix Salla. As suas contribuições resultaram em espaços profusamente trabalhados, onde se destacam os estuques artísticos e as pinturas a óleo e a fresco. Um exemplo notável é o fresco que representa o “Rapto das Sabinas” na Sala Romana, onde se encontram retratos dos próprios artistas. O Palácio Quintela foi classificado como Imóvel de Interesse Público em 1938, um reconhecimento da sua excecional relevância histórica e arquitetónica.
Coordenadas DD: 38.709659007143, -9.14295595
Coordenadas DMS: 38°42'34.8"N 09°08'34.6"W