Categoria: Cultura e Entretenimento > Museu
Distrito: Setúbal > Setúbal > Vila Fresca de Azeitão > Castanhos
O Palácio da Bacalhôa situa-se em Vila Fresca de Azeitão, uma localidade do concelho de Setúbal. Encontra-se especificamente na zona dos Castanhos, uma área que confere ao local um ambiente tranquilo e com características de uma pequena vila, afastado do ritmo mais acelerado dos centros urbanos.
A história do Palácio da Bacalhôa remonta ao século XV, quando a propriedade era um espaço de recreio ligado à Casa Real Portuguesa. Inicialmente, pertencia ao Infante João, filho do rei D. João I, sendo posteriormente herdada pela sua filha, D. Brites. Foi D. Brites quem impulsionou as primeiras beneficiações na quinta, incluindo a construção de muros com torreões e de um grande tanque, elementos que ainda hoje definem a paisagem do local.
No século XVI, a propriedade foi adquirida por Brás de Albuquerque, descendente de Afonso de Albuquerque. Sob a sua posse, o palácio foi enriquecido com notáveis detalhes arquitetónicos e decorativos, mantendo-se como um dos mais belos e importantes exemplares do seu período em Portugal, classificado como Monumento Nacional.
O Palácio da Bacalhôa exibe uma fusão de estilos que refletem as diversas épocas que atravessou ao longo dos seus séculos de existência. Destacam-se as abóbadas ogivais, que nos remetem aos seus tempos mais antigos. O corpo principal do palácio apresenta janelas ao estilo renascentista, e por toda a propriedade são visíveis elementos decorativos em cerâmica do século XVI.
Particularmente dignos de nota são os azulejos, alguns dos quais datados de 1565 e assinados pelo ceramista Francisco de Matos. Medalhões de faiança de origem flamenga, emoldurando bustos de figuras históricas, complementam a riqueza artística do conjunto. Os torreões, com as suas características cúpulas gomeadas, conferem uma identidade única à arquitetura do palácio.
O nome "Bacalhoa" tem uma história curiosa, que se entrelaça com a vida dos seus antigos proprietários. No final do século XVI, a quinta integrou um morgadio herdado por D. Maria Mendonça de Albuquerque. Esta senhora era casada com D. Jerónimo Manuel, que era conhecido pela alcunha de "Bacalhau". É provável que a propriedade tenha adquirido o seu nome a partir de uma designação sarcástica atribuída a D. Maria Mendonça de Albuquerque, também referida como "Bacalhoa", um nome que permaneceu e se tornou indissociável da quinta ao longo do tempo.
Coordenadas DD: 38.5253547,-8.9921192
Coordenadas DMS: 38°31'31.3"N 08°59'31.6"W