Categoria: Arqueologia > Povoado
Distrito: Setúbal > Sines > Sines > Palmeirinha
O local da Palmeirinha situa-se na localidade de Sines, na zona conhecida pelo mesmo nome. Posiciona-se no sopé da encosta sudeste dos Chãos de Sines, a uma altitude que varia entre os 38 e os 41 metros. Este espaço, de natureza plana e arenosa, encontra-se a cerca de 1200 metros da linha de costa, uma proximidade que terá sido relevante para as comunidades que aqui se estabeleceram no passado.
A Palmeirinha é um local arqueológico que guarda importantes testemunhos da presença humana em Sines desde tempos remotos. As escavações revelaram duas camadas distintas de ocupação, correspondendo a diferentes períodos pré-históricos: o Neolítico Médio e a Idade do Bronze. A camada neolítica, mais antiga, apresenta estruturas bem conservadas de um antigo habitat, enquanto a da Idade do Bronze, mais superficial, foi mais afetada por intervenções posteriores no terreno.
Os vestígios mais significativos na Palmeirinha remontam ao Neolítico Médio, período compreendido entre finais do V e meados do IV milénio a.C. São visíveis no local algumas das estruturas de habitação mais bem preservadas deste período: as estruturas de combustão, também conhecidas como lareiras "empedradas". Estas lareiras, de formato ovalado ou sub-circular, são compostas por uma camada de pedras termoclastos e foram protegidas, in situ, por uma estrutura acrílica que permite a sua observação. Esta comunidade pré-histórica praticava a agricultura, como sugerido por certos utensílios de pedra com vestígios de uso em cereais, e a criação de gado. Complementavam a sua subsistência com a caça e, dada a proximidade à costa, com a exploração dos recursos marinhos. Embora a ocupação neolítica tenha sido de curta duração, os achados indicam um tipo de habitat relativamente estável.
O espólio encontrado na Palmeirinha, atualmente integrado no acervo do Museu de Sines, inclui uma vasta gama de artefactos que revelam as práticas e os contactos destas antigas populações. Predominam os utensílios de pedra lascada, com uma grande variedade de formas e funções, desde raspadores a buris e até peças geométricas que sugerem atividades de caça. O estudo destas ferramentas indica um uso intensivo e um aproveitamento exaustivo das matérias-primas.
A proveniência das pedras utilizadas é particularmente interessante: embora algumas fossem locais, a maioria era importada, com sílex e rochas siliciosas de diferentes tonalidades a chegarem de regiões distantes como a bacia de Santiago do Cacém ou mesmo o Algarve. A presença de um tipo de rocha, o anfibolito, inexistente na região, sugere a existência de redes de contacto e troca na Pré-História. Além disso, foram descobertos instrumentos de pedra polida, como machados e enxós, e numerosos fragmentos de cerâmica doméstica, incluindo taças e vasos com decorações específicas, que contribuem para o conhecimento das práticas diárias e da cultura material destas comunidades ancestrais.
Licença: https://creativecommons.org/licenses/by-sa/4.0/deed.pt
Coordenadas DD: 37.9467929, -8.82685656
Coordenadas DMS: 37°56'48.5"N 08°49'36.7"W