Categoria: Arquitetura civil > Chafariz
Distrito: Lisboa > Lisboa > Lisboa > Prazeres
Situado na Praça da Armada, na zona de Prazeres em Lisboa, este chafariz ergue-se num espaço amplo, num plano ligeiramente inclinado, rodeado por edifícios que remontam ao século XIX. O pavimento em calçada portuguesa, com os seus padrões geométricos, e as árvores que ladeiam o largo contribuem para um ambiente urbano acolhedor.
A Praça da Armada, ao longo da história, teve diferentes designações, incluindo Largo de Alcântara, Praça de Armas e da Marinha, e até, informalmente, Largo dos Marinheiros. Atualmente, mantém-se como um ponto central na vida da freguesia, com o chafariz a servir de elemento distintivo no coração deste espaço.
Construído entre 1845 e 1846, este chafariz exibe uma arquitetura de inspiração clássica, marcando a paisagem urbana com a sua presença. É classificado como Monumento Nacional, reconhecendo o seu valor histórico e artístico para o património da cidade.
Edificado em cantaria de calcário lioz, com tons brancos e rosados, o conjunto assenta numa base circular com degraus de acesso, onde se destacam dois tanques inferiores de planta trapezoidal, com os lados curvos. Estes tanques, originalmente concebidos para o gado, revelam a sua função prática na época. Um dos tanques inferiores mantém ainda hoje a presença de peixes vermelhos, um toque que acrescenta vida ao conjunto.
No patamar superior, uma estrutura vertical paralelepipédica é realçada por pilastras de fuste liso e capitéis dóricos, denotando a atenção ao detalhe e a sobriedade das formas. As bicas do chafariz, em bronze, são esculpidas em forma de mascarões híbridos, envolvidos por concheados e volutas. Estas figuras singulares, criadas originalmente em 1797 pelo escultor Alexandre Gomes, destinavam-se a outro chafariz que nunca chegou a ser construído, conferindo a este monumento uma história particular de reutilização artística.
Na face frontal, o chafariz ostenta as armas da cidade de Lisboa, um símbolo da sua pertença e história local, e uma inscrição datada de "N.º 10. CAMARA MUNICIPAL 1845", ano em que a sua instalação na Praça da Armada foi planeada. No topo do conjunto, elevando-se sobre um pedestal octogonal adornado com um friso de folhas de acanto clássicas, encontra-se a imponente estátua de Neptuno. Esta figura do deus do mar, com o seu tridente de bronze, foi reaproveitada de outro chafariz lisboeta, o Chafariz do Campo Grande, após a sua demolição em 1850, tornando-a um elemento com uma segunda vida neste local.
Para além do seu valor estético, o Chafariz da Praça da Armada desempenhou um papel vital na rede de abastecimento de água a Lisboa. Foi concebido como parte integrante do sistema do Aqueduto das Águas Livres, assegurando o fornecimento de água potável à população da zona de Alcântara.
Ao longo dos tempos, serviu não só os habitantes, mas também, como referido, os animais que transitavam pela área, funcionando como um ponto de referência e utilidade pública. Hoje, embora a sua função primária tenha mudado para um propósito ornamental e cultural, continua a ser um testemunho eloquente da engenharia hidráulica e da vida quotidiana de Lisboa nos séculos passados.
Coordenadas DD: 38.705249482353, -9.1704343
Coordenadas DMS: 38°42'18.9"N 09°10'13.6"W