Categoria: Cultura e Entretenimento > Atração turística
Distrito: Castelo Branco > Belmonte > Malpique
Este antigo Lagar está situado na vila de Belmonte, no concelho de mesmo nome. Integrado na localidade de Malpique, num lugar conhecido como Sítio do Chafariz Pequeno, encontra-se numa zona que ainda reflete a ligação da região à produção do azeite. No seu exterior, existe uma área onde se preserva um olival, convidando a uma experiência que liga o espaço à sua origem rural.
O Lagar de Malpique, edificado em 1946 por José Fonseca Ferraz, desempenhou um papel central na economia local durante décadas. Serviu os pequenos agricultores de Belmonte, que aqui traziam as suas azeitonas para moer, pagando o serviço com uma parte do azeite produzido, um sistema conhecido como "maquia".
Este espaço manteve-se em funcionamento até 1995, altura em que as mudanças nas normas de produção levaram ao seu encerramento. Em 1991, o município de Belmonte adquiriu o edifício, e após um trabalho de reabilitação concluído em 2005, o antigo lagar foi preservado, transformando-se num local onde se explora o legado da produção de azeite na região.
Ao percorrer o interior do Lagar, descobre-se o processo tradicional de extração do azeite, tal como era praticado entre as décadas de 1950 e 1990. Começava-se com a deposição das azeitonas em grandes depósitos chamados tulhas. Dali, os frutos eram encaminhados para a moagem, onde as galgas, pesadas pedras circulares, as transformavam numa pasta homogénea.
Esta pasta seguia depois para uma termobatedeira, onde era suavemente aquecida para facilitar a separação do azeite. Seguidamente, era vertida para vagonetas e transferida para as prensas, que exerciam a força necessária para extrair o precioso líquido. Finalmente, uma centrifugadora separava o azeite da água, resultando no "ouro líquido". A maior parte desta maquinaria, de cor azul, era fornecida pela Metalúrgica Duarte Ferreira, um ícone da indústria portuguesa do século XX.
O azeite tem uma ligação profunda com a história e a identidade de Belmonte. Desde a sua introdução na Península Ibérica pelos Romanos, a cultura da oliveira e a produção de azeite assumiram um papel central, tanto a nível económico como simbólico.
A relevância deste "ouro líquido" é visível em diversos elementos da vila, como os brasões de antigas famílias que exibem prensas nas fachadas dos edifícios. Esta iconografia, segundo a sabedoria popular, está ligada a atos de lealdade histórica, como a lenda de Fernão Cabral, pai do navegador Pedro Álvares Cabral. O próprio brasão da Freguesia de Belmonte, adornado com uma prensa e dois ramos de oliveira em ouro, sublinha o lugar proeminente do azeite na vida e na tradição local.
Coordenadas DD: 40.33148342, -7.35540682
Coordenadas DMS: 40°19'53.3"N 07°21'19.5"W